domingo, 8 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
as cabeçudas

A Drake, eu a Bê achamos de novo os posteres das três meninas desconhecidas na casa do meu primo e não aguentamos: tiramos uma foto com elas. Somos 3, elas também 3, achamos que isso queria dizer alguma coisa. Nossos corpos, as cabeças delas. O que não sei, acho que vou perguntar para o oráculo. Pera. Voltei. Deu "1", ou seja "vai sozinho". "Vai sozinho?". Nossa que complicado que é interpretar oráculos. "Vai sozinho" pra mim é melhor que "sim". E dai? Sei lá. Voltando, tivemos uma enorme conversa para decidir quem seria quem. Eu acabei ficando com a única menina que não ri e não fiquei lá muito satisfeita. A do meu poster parece até que chora, é que eu tive que colocar tarja e não dá pra ver. Aceitei o fato, fui sozinha e triste. Ficamos hiper cabeçudas, mas olha que foto engraçada.
postado pela franka às 12:30:00 |
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
o dado eletrônico do primo francisco

Fui outro dia na casa do meu primo e ele me mostrou um estranho objeto.
- Caramba. Que é isso, Francisco?
- É um dado eletrônico. Comprei para testar para usar no jogo que inventei.
O Francisco está desenvolvendo um "jogo", um jogo desses normais, de jogar na mesa, como o War, Leilão de Arte, Banco Imobiliário. Um jogo legal, educativo, bacana, ele já tem todo o projeto montado, mas ainda está em fase de testes.
- Precisa de dado eletrônico, seu jogo? Não pode ser um dado comum? - perguntei - Não é a mesma coisa?
- Não sei - ele disse - comprei esse dado pra testar.
Não aguentei e apertei o botão do meio. Tutututututututututú, fez o dado, que parou num número. Era legal fazer aquilo. Fiquei naquele tututututu um tempão. Foi quando tive a idéia de usar o dado eletrônico para... tirar a sorte. O Francisco se animou com a idéia.
- Que legal! Outro jogo! As pessoas adoram tirar a sorte. Poderemos ter respostas para muitas dúvidas cruciais da vida. Com esse dado-oráculo-eletrônico - ele falou, animado - poderemos definir o destino de muita gente.
- Mas Francisco, pensando bem... para o dado eletrônico tirar a sorte, cada número tem que significar alguma coisa. Olha, eu tirei 3. O que quer dizer? Nada. Dãr prá nós dois, primo.
- Hummm. Vamos fazer uma lista de resultados, então - ele sugeriu - um dos números será o "sim" e outro será o "não". Vamos escolher.
- E os outros quatro números? - perguntei.
- A gente escolhe respostas aleatórias só pra encher linguiça. Importa só na verdade o "sim" e o "não" - ele resolveu.
Hahaha. Gente, como eu gosto de uma bobeira. Colocamos a mão na massa, e a lista ficou assim:
1) vá sozinho
2) será a coisa mais frustrada da vida
3) faça uma salmonela
4) não
5) sim
6) vai dar farofa
Jogamos diversas vezes, fazendo perguntas essenciais e não essenciais para nosso destino. Resolvemos que não existiriam perguntas que não pudessem ser feitas para o dado eletrônico, que, ao contrário de outras sortes, seria totalmente liberado para qualquer pergunta, idiota ou não idiota. "Um dia vou ter um iate?", "tem chocolate no armário?", "vou publicar um livro?", "o fulano vai encontrar a sicrana amanhã?". Tudo poderia. Fiquei com a lista, ele com o dado. Desde então eu e o Francisco temos nos torpedeado muito, a toda hora. Quando tenho qualquer dúvida, mando uma mensagem pedindo para ele rodar o dado e me mandar o número. Já ele roda para as perguntas dele e me torpedeia, perguntando o resultado. Sensacional. Contamos para um monte de gente, estamos ficando famosos como adivinhos: "franka e o primo, os profetas do dado-oráculo-eletrônico". O seguinte: quem precisar de alguma resposta, pode chamar. Em dois torpedos eu e ele resolvemos.
postado pela franka às 13:32:00 |
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
franka coloca bobes

Meu cabelo é muito escorrido. Nunca tive muita opção de penteados - ou solto, ou preso. Outro dia a cabelereira me deu a idéia de colocar uns bobes. Nunca coloquei bobes na vida, não sabia como e nem onde fazer, mas na hora, de vergonha, concordei com ela e fiquei caladinha.
- Uns bobes.
- Bobes? Pra que isso, Franka?
- Trouxe para vocês colocarem pra mim. Eu não sei instalar bobes no cabelo.
As três me olharam pasmas.
- Mas a gente também não sabe colocar bobs!
Ufa, ainda bem que não era só eu que não sabia. Mas, pôxa. Insisti, insisti, elas concordaram, e, no café da manhã, as três se reuniram ao redor da minha cabeça, pilotadas pela Bê, e começaram o... procedimento. Acabaram, me olharam.
- Nossa, você tá a cara da princesa Léa. Vamos tirar uma foto.
A Fran me emprestou um casaquinho esportivo dela que tinha a cor dos bobs, para combinar. Acho que tavam era tirando sarro de mim, mas tudo bem, topei tirar a foto à la Star Wars.
Clic.
O que eu não imaginava é que aquilo meio que dói na cabeça. E que meio que despenca com o tempo. E isso foi tudo no dia de voltar, quando eu ia pegar um carro na estrada com vento. Resolvi colocar um lenço pra segurar os bobes.
Entrei na fase 2 do bobes. Aquela hora que você não quer que ninguém veja que você está de bobes. Aliás, bobes é um negócio pra mulher que não precisa sair de casa, porque não tem nada mais estranho , disforme e demorado do que colocar bobes. Em tempos de internet, como ninguém inventou até hoje um bobe-eletrônico?
- Nossa, tá super estranho o formato da sua cabeça, um sacão atrás... - elas comentaram, rindo.
Continuamos a viagem, até que uma hora eu tive um piti. Não aguentava mais aqueles bobes me pinicando, incomodando, não me deixando dormir. Fazia horas que estava com aquilo. Resolvi tirar, pedi ajuda para a Bê, morrendo de medo do cabelo estar totalmente embaralhado e de eu ter que cortar semi careca. Mas ela foi hábil, tirou rapidamente, ajeitou. A Bê é uma grande cabelereira.
Olha como ficou. Hummm, digamos que semi-encaracolado. Elas acharam que eu rejuvenesci, sei lá. Falaram que eu parecia estar num anúncio de shampoo. Não tinha espelho, tiramos fotos, cada uma mais ridícula que a outra.
- Franka, o Zé não vai a-cre-di-tar quando você chegar em casa - elas comentaram, animadas - está o máximo, não é porque foi a gente que fez, está legal mesmo.
Cheguei, entrei em casa correndo, mostrei pro Zé. Perguntei "que-tal?".
- Que tal o que?
- O meu cabelo, Zé.
- Tá todo descabelado. Tem que pentear.
Olhei no espelho. Tinha caído tudo, nenhum cacho. Verdade. Foram 5 horas de bobes que duraram meia hora de cachos. Ô coisa. Tristeza. Mas não vou desistir. Da próxima vez, vou usar lakê. E postar aqui, claro.
Aliás, um blogueiro amigo me mandou o seguinte link do Estadão: "Em vez de chapinha, verão pede laquê e cabelo armado". Uau, tou mega na moda... E na reportagem, olhem o que está escrito: "A dica é fazer uma escova em casa e enrolar o cabelo com rolos grandes." Ou seja, bobes!
postado pela franka às 14:08:00 |
domingo, 21 de dezembro de 2008
jingoubéu, jingoubéu, jingoubéu
postado pela franka às 19:23:00 |
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
as fotos do meu telefone



Volta e meia eu tiro umas fotos com meu telefone. Sei que as fotos são para fazer posts, mas geralmente eu volto a olhá-las e esqueço sobre o que eu ia falar. Gagazice total. Na hora me parecem assuntos interessantíssimos, uma pena eu esquecer. Posto aqui pra ver se alguém me dá uma luz. Sobre o que eu queria falar com essas fotos?
postado pela franka às 14:09:00 |
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
sábado, 13 de dezembro de 2008
grandão, pequeniniiiinho
postado pela franka às 19:18:00 |
domingo, 7 de dezembro de 2008
a vingancinha
postado pela franka às 19:09:00 |
sábado, 6 de dezembro de 2008
franka pinta o cabelo
postado pela franka às 19:04:00 |
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Déo, Ringo, gato, sangue, cocô

A empregada podia ajudar, ela pensa. A empregada da Ângela se chama Déo. Segundo ela, se a gente chama a Déo um monte de vezes parece que toca um sino: Déo, Déo, Déo.
- Déééo. Déo?
O passarinho começa a voar de lá pra cá, desesperado. Ela não sabe o que fazer. Resolve pegar o bicho, mesmo segurando o telefone.
- Déo? Déo, Déo, vem rápido! Déo, Déo, Déo, ai meu Deus.
Nisso entra o Ringo, o cachorro, que ouviu a gritaria. Olha o passarinho e quer matar, comer, pegar, estraçalhar aquele intruso. Fica mais maluco que o passarinho, e a Ângela começa a gritar mais ainda.
- Déo, Déo, Déo, não, pára Ringo, Ringo, pára Ringo!
Se não bastasse isso, surge o gato, que se chama gato mesmo. O gato também resolve matar, comer, pegar, estraçalhar o pobre do passarinho. Céus.
- Ringo, não! Déo, Déo, Déo, cadê você, Ringo pára, ai, o gato, o gato também não! Pára gato, Déo, Déo, Déo, socorro, Ringo pára, Ringo, sai gato!
Ela consegue pegar o bichinho, em pânico, mas o coitadinho quase escapa da mão dela porque o Ringo avança e arranha um pouco o pobrezinho no meio da luta.
- Sangue! Ringo, Ringo pára, gato, pára, ai sangue, sangue tadinho, Déo, Déo, Déo me ajuda, Ringo, pára, sangue não, ai, Déo!
Segura o passarinho com força junto do corpo dela e sai correndo para colocar lá fora, seguida pelo Ringo, pelo gato e pela Déo, que apareceu enfim, quando vê que o passarinho fez cocô.
- Cocôôô...! Cocôôô...!
Sai correndo e gritando, a blusa, a mão dela toda suja.
- Ai, cocô não! Déo, ajuda, Déo, Ringo, pára, gato, pára, ai, cocô, ãããeeee, ãããeee, sangue, sangue, cocô, cocô!
E ela solta o passarinho, que mesmo machucado, sai voando. A Ângela, a Déo, o Ringo e o gato olham o passarinho salvo lá longe e depois de um pequeno silêncio ela se lembra que ainda está... com o telefone na mão.
- Alou?
- Ângela? Tudo bem por ai?
Trabalho é trabalho, ela pensa, retomando a conversa.
- Tudo ótimo, só tive um probleminha de nada aqui. Vamos lá.
E passou a falar tudo que tinha decorado.
.
- Lúcia, pensa, você contraria alguém que, sem nem te falar oi no telefone berra Déo, Déo, Déo, Ringo, Ringo, Ringo, gato, gato, gato, sangue, sangue, sangue, ãããeee, ãããeee, ãããeee, cocô, cocô, cocô!, e que depois não explica nada? Pois bem. Hahaha. Eles me contrataram mesmo assim, acredite.
postado pela franka às 23:46:00 |
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
a vida é um banco imobiliário

- Pois é o que eu sempre digo, gente. A vida é como o Banco Imobiliário, tem a sorte e o revés...
- Hã?
- Hã?
- Hã? - perguntaram os meninos pra o Zé no jantar.
Ele olhou pra os três e para mim, seríssimo.
- Eu queria completar essa conversa assim, gente. Estamos aqui falando de coisas que dão certo, que dão errado, e eu pensei isso, que a vida é assim, é como o jogo do Banco Imobiliário. Tem dias que a gente tira a sorte, tem dia que a gente tira o revés, entendem?
- Ixi, lá vem o papai.
- Nossa, que teoria profunda.
Eu lembrei do jogo. Adorava aquilo.
- Uau, Zé, Banco Imobiliário... Quando eu era pequena, o bairro que eu morava era super barato de comprar. A Rua Augusta era uma pechincha, e eu morava bem ali do lado, na Haddock Lobo. Só a Nossa Senhora de Copacabana era mais barato que a Rua Augusta, que eu me lembre. Tinha a maior inveja dos amigos que moravam no Morumbi, eu me achava a maior pobre e não queria nem comprar o meu bairro quando caia nele. Que jogo mais estranho pra uma criança, pensando bem. Segregacionista.
- E você pai?
- O Brooklin era mais caro que a rua Augusta, mas não sei se era mais caro que o Jardim Paulista, por exemplo - eu lembrei.
- Só não era mais caro que o Morumbi - exibiu o Zé.
- Como que é mesmo sua teoria, pai?
Ele tentou explicar mais uma vez.
- Eu falo só das cartas do jogo, gente, esquece o resto, tinha a sorte e o revézes e...
- Não é revézes pai, é revés. Revézes parece fezes, olha o papai falando errado.
- Ele tá tirando sarro, João - falou a Nana - ele vive falando palavra errada principalmente se combina com bobeira e escatologia.
- Gente, isso não interessa, eu estou falando que...
- "A vida é um banco imobiliário...". Já sabemos, você já falou isso - disse o João.
- E como é na vida o lance de avançar casas, pai? - riu a Nana.
- E pagar imposto, pai?
- E comprar empresa, pai?
- A gente na vida tem que tomar cuidado pra não ir pra hotel no Morumbi, né pai?
O Zé suspirou, ainda tentando completar a teoria.
- Pára de fazer gracinha, gente, o que eu digo é que na vida as...
Os três começaram a rir.
- Essa é boa, vai ficar famosa na família - riu o Chico - E pai, é sempre bom ter uma saída livre pra a prisão né?
Filhos grandes.
Socorro.
postado pela franka às 13:57:00 |
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
o fax do seu consul
postado pela franka às 09:22:00 |
franka atrás do joelho
postado pela franka às 00:17:00 |
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
tratar mal?

Uma das obras que eu tomo conto (um dos meus trabalhos é administrar obras) é num prédio que tem muito segurança. Gente, não tem nem como explicar aquilo. Eu juro que é segurança demais, eu não me conformo com a quantidade. Tem segurança pra todos os lugares que você olha. Só pra ter idéia, da hora que eu estaciono o carro até a hora que eu entro na obra, eu cumprimento 9 caras. Bom dia nove vezes só pra os seguranças. Tem os da rua, o do quarda chuvinha, o da guarita, o da entrada, o do elevador. É. Em cada hall tem um segurança. Aqueles cubiculinhos de serviço, neles mesmo, tem segurança.
Não vou discutir o porque dessa maluquice, mas ao contrário de me sentir segura, eu me sinto super insegura naquele lugar. Agora, o interessante é que, desde que começei a ir nessa obra, notei que eles não falam comigo. Na verdade, encanei que eles me tratam até meio mal. Ora, eu vou ao menos duas vezes por semana e vejo todos eles toda vez. Já conheço as caras e tal, mas notei uma coisa: segurança é treinado pra não ser "chapa" de ninguém. Segurança não pode ser seu amigo. Ser amigo distrai. Isso é irritante e é o fim da picada, um cara ser treinado pra te tratar mal. Caramba, imagina você ter um trabalho onde não pode rir? E desde então resolvi que ia insistir: a cada vez que eles me tratam mal, eu trato os caras melhor ainda. Isso tem deixado os seguranças confusos pra burro. Eles não sabem se podem rir, se podem responder minhas perguntas. E na sexta feira, ahá! Um deles até deu até uma risada. Foi uma risada muito sutil, muito discreta, mas consegui. Eu sai dali satisfeita. Só espero que não esteja fazendo os moços perderem o emprego.
postado pela franka às 21:21:00 |
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
o fim da campainha

Eu e a Bê resolvemos ficar conversando na frente da minha casa. Eu tenho uma varandinha que fica na frente da garagem. Era de noite, e o carro, as plantas e o portão atrapalham para ver a rua, mas notamos que um carro estacionou na frente de casa.
postado pela franka às 22:31:00 |
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
uma tal de calça samuel

- Mãe, já que a gente tá aqui no shopping, podemos comprar uma calça? - falou um dos meus filhos.
Há tempos que não gasto dinheiro com roupa pra eles. Na verdade, acho que as pessoas do mundo hoje tem roupas demais. Um dia achei que eu tinha roupa demais, que o Zé tinha roupa demais, que os meus filhos tinham roupas demais. Todos tínhamos roupas demais e depois ficávamos reclamando que faltava armário aqui em casa. Então há uns anos eu... eu... bem, eu meio que parei de comprar roupa.
- Gente, vamos pensar. Quando as que vocês tem estragarem, a gente compra mais. Vamos somente substituir - eu declarei - A calça rasgou, jogamos fora. O sapato está sem sola e o sapateiro disse que não dá mais pra arrumar? Ai compramos outro. A blusa virou um trapo? Só nesses casos. Não é uma questão de pão-durismo, isso é ser razoável e inteligente. Não adianta nada separar lixo, reciclar tudo e acumular camiseta. Não tem lógica isso. É que, pensem, roupa não apodrece, não embolora em uma semana assim como comida. Se roupa fosse como carne moída, que não dura muito, ninguém tinha tanta. A gente tem roupa que não usa quase nunca. Um exagero.
Acertei os detalhes com todos eles. A Luciana, que é menina, tinha que ter um pouco mais de roupas e acessórios, afinal, é menina. O João, que treina basquete, tinha que ter as roupas normais e os uniformes, tudo em boa quantidade. O Chico, que tá na faculdade de direito, tinha que ter ao menos uma roupa formal para as ocasiões importantes. E o número básico de roupas de cada um tinha que estar de acordo com o processo de lavagem/ secagem e passagem da Maria.
- Então, mãe, e a minha calça? - insistiu um dos meninos - As minhas calças já estão todas meio furadas e rasgadas. Posso comprar outra?
Entramos na loja do vendedor que sempre me cumprimenta com beijo-beijo. Oi, beijo-beijo-lúcia, oi, beijo-beijo-vendedor. Experimenta aqui, experimenta ali, quando meu filho vira pra o vendedor, com a maior cara de pau, e lasca essa:
- Ô moço. Você tem calça Samuel?
Meus filhos são assim. Eles fazem uma gracinha entre eles, riem, riem, e depois tentam com os outros. Os outros não entenderem é a melhor parte. Eles adoram trocar o nome das coisas, sutilmente, e fingir que não sabem o nome certo. Como se fossem uns caipiras-desavisados. Mas eles sabem muuuito bem. E agora existe um modelo de calça que se chama calça Saruel. É um modelo que tem um cavalo lááá em baixo. Parece um saco, mas dizem que é super confortável.
- Calça o quê? - perguntou sem graça o vendedor que beija-beija.
- Calça Samuel, moço.
- Samuel? - disse o moço, confuso.
O outro filho interveio.
- É. Calça Daniel, moço.
- Daniel?
Eu entendi a piadinha na hora, mas resolvi ver até onde aquilo ia.
- Calça Rafael, não tem calça Rafael aqui? Ou é calça Manuel que chama, moço? Sério que não tem? Aquelas, que tá na moda agora?
O vendedor deu um risada sem graça. Coitado. O menino pegou uma calça do cabideiro.
- Ah, tem sim. Olhaqui uma calça Samuel!
- Ah! Isso é uma calça Saruel! - o beijoqueiro explicou, aliviado.
- Isso - o meu filho disse, era essa que eu estava pedindo mesmo, uma calça Samuel. Vou experimentar.
- É Saruel que fala... errr... Sa-ru-el, Saruel! - tentou o vendedor, atrapalhado, achando que não tinha boa dicção.
Depois de um tempo, o Zé, que estava em outro lugar, entrou na loja pra encontrar com a gente.
- E ai, já compraram a calça? Tudo resolvido?
- Pai, vou comprar uma calça Samuel - o menino disse, rindo.
- Ual, filho. Que chique! Uma legítima Samuel? Hummm, que moderno...
- É... é uma brincadeira de vocês, né? Uma pegadinha, né?
- Mais ou menos... - confessei - bem, e quanto custa essa... legítima Samuel?
- Perai que vou ver... a Samuel custa... custa...
Hahaha. Demorou, mas o cara entrou na piada. E duvido que ele esqueça do novo nome da calça.
postado pela franka às 08:15:00 |
terça-feira, 25 de novembro de 2008
"assenhõas sagevô cin hocus"
postado pela franka às 09:14:00 |
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
no cemitério com a minha mãe - II
postado pela franka às 23:07:00 |

















